Saturday, July 15, 2006

Nudez

Quero me despir de tudo, do ódio que pouco a pouco dilacera minha alma
Do tédio que me paralisa de tanta monotonia e mesmice...
Me despir das coisas impuras que meu ser abriga,
Tal qual a ambição, a inveja, o rancor,a cobiça das coisas que pretendi.
Vou arrancando cada uma dessas peças que me cobrem e
me torna rude, insensível à beleza da simplicidade.
Arremesso para bem longe os preconceitos que me maculam a consciência, me tornando esse ser atípico.Lentamente alcanço a minha catarse,
me liberto para o mundo das coisas possíveis,concretas.
Agora, refeita e serena sinto-me uma pluma, que abandonada ao relento segue sem rumo no espaço, à deriva e refém do acaso.
Despida e satisfeita, consciente do novo ser que construo ao me despir ,gozo da mais pura leveza e da simplicidade da vida...assim nua,decentemente nua.

Mônica Martins

Friday, July 07, 2006

AS CIDADES GRAFITADAS

(Imagem cedida pelos meninos do Movimento Calangos: http://fotolog.terra.com.br/calangosartvisual:

As cores que estão expressa pelos muros da cidade são mais que simples desenhos. São os sonhos de uma oportunidade de vida melhor. Vivemos num país que não pagou a sua divida histórica com maioria da população, alias história esta mal contada. É certo que somos uma economia em desenvolvimento, país do futuro, blá, blá, blá. Chega deste discurso hipócrita. De que adianta termos índices bons na economia, agro negocio exportando cada vez mais, se não estamos cumprindo os direitos básicos assegurado pela constituição com os nossos irmãos que vivem nas favelas de todo o país. Falta, moradia, cultura, arte, comida. Mas não falta garra para estes milhões de brasileiros alimentarem a roubalheira instalada no governo. Não quero mais ter o melhor futebol do mundo, idolatrar Ayrton Senna. Troco esse título e ídolo por uma educação melhor que atenda os anseios da nação. Hoje só de sacanagem vou pintar os muros com essas reflexões, vou tentar reconstruir o dois de julho, vou tocar o coração daqueles que estão destruindo a vegetação da Paralela. Vou usar meu spray para colorir a cidade, não me importa se me chamarem de vagabundo, o que eu quero é mostrar para o viciado, através de meus grafites, o fio de vida que há em cada lugar, para o negro quero chamar a atenção de sua importância como marcante constituidor de pluriculturalismo. Para as crianças a aversão aos jogos e o resgate das brincadeiras antigas. Para os intelectuais um comprometimento. E para todos a esperança do bom, velho, presente e futuro amor. Este sim nunca cai em desuso.

Rômulo Quirino Pereira

A leitura no Brasil

A leitura não faz parte do cotidiano dos brasileiros.Vários fatores contribuem para esse fato. A falta de estímulo à leitura, falta de acesso aos livros (tanto por falta de condições de comprá-lo,como por falta de bibliotecas para emprestá-lo), entre outros.
Os leitores são estimulados, em sua maioria, na infância, onde os livros são atraentes por suas histórias criativas e por proporcionarem diversão a esses pequenos leitores. Na adolescência, os livros perdem esse aspecto atraente e se tornam verdadeiros fardos por se tornarem obrigatórios nas avaliações da escola ou no vestibular. Nessa fase, o leitor não vê o livro como fonte de lazer, e sim, como uma obrigação a ser cumprida, o que, provavelmente, fará com que na fase adulta ele se afaste, talvez,definitivamente,.do hábito da leitura.
Há, ainda, a falta de acesso dos leitores aos livros. Muitos brasileiros até sentem vontade de ler, mas não têm acesso ao livro, pois a maioria não tem condições de comprá-los. No Brasil não há bibliotecas suficientes para atender a essa demanda de leitores. Talvez uma das soluções possíveis seja a criação de mais bibliotecas domiciliares, mas nisso há o problema de que essas bibliotecas geralmente não possuem uma divulgação de sua existência ou de seu acervo por falta de recursos. Então, os leitores, muitas vezes, nem sabem da existência de uma biblioteca desse tipo na sua rua, ou em seu bairro, e essas bibliotecas não têm a mesma variedade de livros de uma biblioteca pública, mas mesmo assim representa um paliativo enquanto a solução não se apresenta definitiva.
O problema da leitura no Brasil está longe de uma solução definitiva. Faltam políticas de criação de bibliotecas públicas, e de manutenção das já existentes, como a renovação do acervo e conservação dos exemplares. E também mais estímulo para a leitura, não só na infância, mas também na adolescência e na vida adulta. E que os leitores estimulados na infância permaneçam leitores por toda a vida, já que a leitura proporciona viagens, diversão e aquisição de conhecimento, que se renovam a cada leitura. Um país de leitores com certeza é um país muito mais desenvolvido.

Thaís Gomes Campos

As histórias infantis

A infância é a melhor fase da vida. Brincadeiras, diversão, curtição com tanta inocência e nenhuma preocupação. Os contos infantis, geralmente contados por nossos pais ou babás, é o momento mais esperado, principalmente antes de dormir.
Dentre os vários contos infantis, destaca-se a história de Cinderela. Uma menina muito boa e obediente, que mesmo assim sofria por causa da raiva que a madrasta sentia pela sua beleza e personalidade. Cinderela contou com a ajuda de uma fada madrinha para ter um final feliz.
Como se nota, as histórias infantis são sempre um “conto de fada”, pois fogem muito à nossa realidade. Por ser uma menina obediente, Cinderela não deveria sofrer por causa de um preconceito adquirido pela sua madrasta, em não ter filhas bonitas como Cinderela. Fica evidente nessa história a falta de prestígio em relação às madrastas e que nem sempre vale a pena ser obediente. Mas, para amenizar o sofrimento, Cinderela terá um final feliz; desse modo, vale a pena sofrer.
Os castelos e bailes também não fazem parte da nossa realidade, contudo, trabalha a imaginação da criança, fazendo com que ela “crie, pinte”, essa imagem. Muitas coisas deveriam ser modificadas nos contos como: a predominância do preconceito, a divergência de classes sociais, a falsa ideologia de que tudo é bom, e se não o for, se transforma, como o lobo mau, enfim, a nossa realidade deveria ser mais explícita, afinal, é essencial conhecermos melhor o mundo em que vivemos.
Vale ressaltar, que na minha infância também ouvi todos esses contos, ou a maioria deles. Porém, nenhum deles tive influência na minha formação, mas sim, a minha família e o ambiente em que convivi. Acho que isso é muito mais importante. Hoje, as crianças estão muito mais evoluídas e as histórias já não fazem tanto sucesso como antigamente. Mesmo assim, as histórias infantis devem ser aproveitadas, porque esse é o primeiro passo para o desenvolvimento do gosto pela leitura.
Algumas histórias devem ser revistas? Sim! Ou quase todas, se não todas, de forma que a realidade do nosso mundo seja vista com mais clareza. Que seja combatido o preconceito entre povos e classes sociais e que o amor, o companheirismo e os bons frutos sejam pregados, para que a vida seja sempre vivida com mais alegria e dignidade, visando a um mundo melhor.

Jemima Teles dos Santos Reis

O PONTO DE VISTA DO LIVRO QUE QUERIA SER EMPRESTADO

Desejado por muitas crianças, o livro é, muitas vezes, o centro de intrigas durante a infância. Como na história, a tentativa de ler o livro levou a menina-narradora a humilhar-se na frente da dona do encantador livro As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Este livro grosso, cheio de palavras conhecidas ou não, com fatos que despertavam o interesse de qualquer criança, estava ali em algum lugar da casa, à espera de dois “olhos famintos” por histórias, pelo desejo de ler, de conhecer e viajar no “mundo dos livros”. Mas havia uma contradição, a dona, que por pura vingança o deixava ali, talvez em alguma estante empoeirada ao lado de tantos outros livros que poderiam ter sido esquecidos também pela mesma dona.
Como tantos outros, o livro esperava ser lido e relido muitas vezes, ser desgastado pela leitura era sua sina. A partir de uma crueldade o livro teria o seu grande fim, a luta pela leitura levava todos os dias uma pobre leitora a se humilhar na porta da casa onde estava o esperado livro. Estava cada vez mais perto o dia em que o livro realizaria seu desejo de ser lido, só esperava a ruptura das barreiras, que era a dona do livro.
Depois de tamanha humilhação da menina e as expectativas do livro, veio a salvação, se não fosse a mãe da dona do livro, ele ficaria ali por mais algum tempo. A senhora entregou o livro à menina após uma breve discussão e assim o livro seguiu o seu caminho, o caminho para iniciar a leitura e não tinha tempo certo de voltar para casa. Assim, iniciou-se seu desejo, foi lido aos poucos e muito desejado, motivo de orgulho e amor para a menina, objeto de prazer para a mente.

Ísis Ferreira Cunha

Memórias de um livro...

As Reinações de Narizinho – Que martírio, que sofrimento para um livro não ser lido... feito com tanto sacrifício; depois de tantos procedimentos ficar guardado numa velha estante empoeirada!!! Pôxa! Contenho tantas estorinhas lindas, mágicas, perfeitas para qualquer criança e minha dona mal olha para mim...

Enciclopédia – Ora, do que está reclamando?! Pior situação é a minha, você acabou de vir pra cá. E eu que estou aqui há uns vinte anos?! Nunca fui lido. Minhas únicas companheiras são as traças...

As Reinações de Narizinho – É, realmente é muito ruim viver como nós vivemos. Tenho tanta vontade de saber como é a sensação de ser lido! Ouvi rumores de que uma garota está a sofrer humilhações só para ter o gostinho de me ler...adoraria que esta garota conseguisse levar-me deste purgatório. Será que fiz algo para merecer tal castigo???

Enciclopédia – Olha só, a mãe da sua dona está vindo em nossa direção. O que será que ela vai fazer?

As Reinações de Narizinho – Não sei, mas ela está olhando-me demais...

As Reinações de Narizinho – Não posso acreditar! Ela está levando-me daqui!!! Que felicidade!!! Olha, foi um prazer conhecê-lo, amigo Enciclopédia, mas tenho de ir. Desculpe-me, mas se depender de mim não volto mais. Adeus!

Enciclopédia – Adeus As Reinações de Narizinho! Seja feliz, você ainda é jovem. Eu é quem vai acabar morrendo aqui...

As Reinações de Narizinho – Oh, não diga isso. Seja firme. Se puder, ainda volto um dia, venho buscar-te...

As Reinações de Narizinho – Mas que maravilha!!! Estou agora pelas ruas de Recife a passear nas mãos de minha heroína!!!!

Lembro-me muito bem deste dia...foi o melhor de toda a minha existência. Foi a partir daí que consegui disseminar pelo mundo afora minhas estórias que, hoje, são conhecidas por muitas e muitas crianças!

Denise Fontebranca


Uma releitura do conto de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, a partir do livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato: ponto de vista do livro que queria ser lido.

A importância da mulher

Quando viemos ao mundo, o nosso primeiro contato foi com uma mulher. A mãe acolhe, alimenta, gera e cuida de seu filho, desempenhando naturalmente sua função materna. Durante muito tempo a maternidade representou o principal papel da mulher na sociedade, seguido pelas funções domésticas e sexuais. Na atual conjuntura é notável, na maioria dos grupos sociais, o progresso alcançado.
Taxadas ao longo da história como indutoras de pecados, acusadas de possuir pactos malignos, muitas foram torturadas, violentadas, enforcadas e queimadas. Posteriormente, queimaram seus próprios sutiãs como forma de protesto a essa discriminação secular.
Movimentos reacionários trouxeram transgressões. A mulher buscou cultura, utilizou-se de hábitos tidos como masculinos, como fumar e beber, e colocou em cheque os antigos preceitos machistas.
A sociedade patriarcal, durante tanto tempo imposta, hoje traz uma nova dinâmica social na qual são redefinidos o tradicionais papéis femininos e masculinos, abrindo novas perspectivas para a situação neste gênero.
Infelizmente, não somente progressos aconteceram mas também retrocessos e algumas situações pouco progrediram.
A violência doméstica, a AIDS, o aborto, a violência sexual, a discriminação, entre outros fatores, estão presentes no dia a dia de muitas mulheres. Os homens utilizam-se muitas vezes de força física para impor suas vontades, para coagir as mulheres. Apesar disso, hoje, a mulher é chefe de família, independente, consegue alcançar cargos cada vez mais altos, tem papel bastante significante no mercado de trabalho e é capaz de lutar pelos seus direitos, livre para tomar decisões (na maioria das vezes), livre para ser feliz.

Beatriz da Paixão Ribeiro

Calangos


Algumas imagens do nosso bolg foram cedidas pelos meninos do Movimento Calangos.

visite: http://fotolog.terra.com.br/calangosartvisual

Thursday, July 06, 2006

O que será ????(2)

Sobre ti deposito meu corpo, muitas vezes pego um livro e sento suavemente para viajar na leitura.
Quando criança adorava ficar de pé sobre ti e desfrutar da ilusão de um momento de grandeza.
Às vezes me pergunto, porque é tão importante na vida do ser humano? Todos sempre te utilizam pela manhã ou à noite. Você está sempre presente proporcionando um instante de descanso para os corpos.
A tua beleza e resistência são diversificadas de acordo com o ambiente. Isso depende da cultura, gosto e situação econômica de quem a deseja.
No entanto não importa onde esteja, porque sempre será comum a todos os indivíduos, pois serve a cada um da mesma forma: imóvel e agradável ao pai, a mãe e ao filho.
Josiane Andrade
Turma 05

O Preconceito das Palavras

O discurso “politicamente correto” pretende combater o preconceito, a idéia é alternar a linguagem, e assim mudar as atividades.
O falar politicamente correto nos leva a pensar em uma série de aspectos a respeito do funcionamento da linguagem. É preciso saber, entretanto, se o combate ao uso de palavras ou expressões que patenteiam a discriminação é um instrumento eficaz de luta contra ela. Usar uma linguagem não marcada por fortes conotações pejorativas é um meio de diminuir comportamentos discriminatórios. Por outro lado existem preconceitos arraigados na própria sociedade. Isso significa que não basta mudar a linguagem para que a discriminação deixe de existir.
Anny Miranda
Turma 05

O que será????

Depois que inventaram essa engenhoca o mundo parece menor!
O modo mais simples de descrevê-la é por meio de duas palavras: ALTA TECNOLOGIA. E uma das principais características que a torna diferente das outras invenções humanas é a imensa capacidade de disseminação de informações, através de conexão imediata, ágil e sem fronteiras entre as pessoas. Apertando alguns botões, os usuários podem interagir com indivíduos de todas as partes do globo.
Particularmente, já não consigo viver sem ela. Estou totalmente viciada! Além dos benefícios anteriormente citados, essa invenção ainda pode me oferecer entretenimento, possibilidade de compras com comodidade e destreza na resolução de problemas imediatos.
Não sei como há alguns poucos anos conseguíamos viver sem ela!
D. O. S.
Turma 05

Palavras Politicamente Corretas

Ao tratar de palavras politicamente corretas, Fiorin, lingüísta, defende que o preconceito não está nas palavras isoladas, mas na forma e contexto em que são utilizadas. Posiciona-se contra a idéia da existência de termos neutros. Para ele, todas as palavras são assinaladas por um julgamento social, sendo a procura constante por eufemismos uma forma latente de discriminação. O autor defende uma idéia contrária ao etimologismo, afirmando que não se pode restaurar o que a história da língua apagou. Fiorin enxerga o preconceito como algo intrínseco ao ser humano, que não poderá ser extinguido com a eliminação de alguns vocábulos, mas quando cada um aceitar as diferenças alheias, utilizando uma linguagem desprovida de discriminações, respeitando porém a sua natureza e funcionamento.
D. O. S.
Turma 05

Tuesday, July 04, 2006

Abismo plácido

As pernas intactas já não agüentam o peso do teu coração
O peso do silêncio
O peso da solidão
O peso da saudade das histórias que não vivemos
Como fazer poesia se não tenho matéria?
Só os olhos dos meus pais fazem sentido agora.
As amizades que forjamos para não nos sentirmos sós.
A vida que levamos alienados, e suspeitamos, mas fingimos não.
A beleza que inventamos na flor.
Coitadas das flores se soubesse que não são belas.
Aonde chegamos com nossas teorias hipócritas.
As crianças já não são puras .
Matem todas as crianças.
Matem antes estas poesia.




Sabrina Souza.

A cidade da minha memória

Ao vir para a capital da Bahia deixando a minha interiorana cidade natal, apresentava uma série de justificativas para ter tomado tal decisão: o emprego estável, as melhores faculdades, a possibilidade de crescimento profissional e todo um leque de melhorias que isto representaria para minha vida e consequentemente para a vida daqueles que tão dificilmente tive que deixar para trás.
Hoje, tudo o que foi naquela época planejado está rapidamente realizando-se. Porém, por que será que não consigo sentir-me feliz? Por que nunca consegui me deslumbrar com as luzes e as cores da capital, como seria de se esperar?
Em todo momento pego-me a pensar na minha cidade, e sinto bastante saudades das coisas mais simples e variadas, desde a tranqüilidade de suas ruas, seu clima, as intrigas dos vizinhos fofoqueiros, até àquele leite de vaca. É isso mesmo! Aquele leite de vaca natural, sem conservantes, nem a abominável caixinha desses que são vendidos nos supermercados, leite este que o leiteiro entrega em domicílio todos os dias, de domingo a domingo, pontualmente às seis horas da manhã, e chega fazendo aquele barulho irritante com aquela maldita buzina, aos berros de –“Olha o leite!”, que tanto me deixaram nervosa ao acordar-me em sagrados dias de folga; e hoje, por ironia do destino, uma das primeiras coisas que faço ao chegar lá é tomar um bom copo deste delicioso produto.
Quando era mais jovem e sonhava em deixar o interior nunca imaginei que a adaptação fosse tão difícil, é claro que tinha consciência da tal dificuldade em relação à separação das pessoas que amo - meus parentes e amigos mais próximos; porém, jamais pensei que esse sentimento se estenderia ao lugar também.
Não sei como posso achar mais interessante a simplicidade de ir à feira-livre, onde pessoas, objetos, animais, veículos e as mais variadas bancas de mercadorias expostas à venda misturam-se; e lá tomar um duplo copo de caldo de cana, depois comer jaca e requeijão, a passear num elegante Shopping Center, só sei que o é. E tudo no meu interior é melhor e mais gostoso.
Enfim, nenhum lugar pode ser tão bom quanto aquele em que eu nasci e cresci, aquele que guarda as boas lembranças da época mais extraordinária da vida de todo ser humano, daquela época em que costumo dizer que era feliz e não sabia – a minha infância!



Valéria Suemy Filgueiras de Oliveira,

Crimes de amor....

Nossa que crime...você não me ama como eu te amo e isso é crime...você não sente o que eu sinto ao te tocar e isso é um assassinato...e nas vezes em que não me olha nos olhos?É como se me roubasse a alma e isso é um crime...você me mata aos poucos ...quando briga sem motivos é como se me asfixiasse gradualmente, e meu amor assim como ar vai-se esvaindo...de forma lenta e dolorosa...e isso...isso é crime...você se aproveita de mim...como um adulto explorando a uma criança...e isso...nossa esse é pior crime ...você me “bate” sem nem perceber...você é um covarde...tem medo de ter sentimentos...você me violenta quando finge que não enxerga...fingi que não sente...fingi que não quer ser feliz...é,feliz...você tem medo dessa palavra...você omite...e isso,isso também é crime...você me faz chorar sabia?...É...eu choro mesmo...não sei se é por você ou por mim...que amo alguém tão sem atrativos como você...o fato é que eu choro mesmo...eu assumo...você me dilacera quando age como se eu fosse uma desalmada... e por vezes até me faz sentir mesmo tão desalmada quanto um cadáver...um cadáver sem vida amais de milênios...e chego a pensar que sou mesmo uma pessoa morta..só que em vida...o que é muito pior...você me envenena quando me faz agir de forma insana...você me mata de forma tão visível que eu vejo meu sangue jorrar e sinto dores...você tenta me matar a cada dia e isso é crime...acho que depois de tantos crimes eu tenho o direito a cometer um...eu te “mato”(em vida)pelo meu amor que foi tratado de forma tão indiferente e fria...eu te mato...porque EU TE AMO...

Mayara Carvalho

Votar deveria ser “sinônimo” de consciência?

Para essa pergunta cada pessoa pode responder “sim” ou “não”. Se se responde “sim”, tem-se o seguinte raciocínio: Só se deve votar numa determinada pessoa se conhecer a suas propostas, atitudes, pensamentos. Se a resposta é “não”, aí entra outra pergunta: Como saber se o candidato realmente irá cumprir a suas promessas feitas durante a campanha? A resposta é simples: Confiando. Contudo, como confiar? Se muitas vezes não se conhece totalmente o candidato ao ponto de perceber o seu caráter?
Podemos perceber da seguinte maneira: Votar poderia ser um “sinônimo” de consciência na teoria, mas na pratica, a coisa é bem deferente.
Não que a eleição seja para presidente da República, ou para presidente da associação de moradores de uma comunidade, votar é um direito de todo cidadão, e não deveria ser obrigatório (pois deixa de ser direito e passa ser apenas um dever). Deixando de ser obrigatório, o voto poderia ser melhor utilizado, pois só votaria quem tivesse convicção que estaria elegendo o melhor representante dos seus direitos e quem estivesse indeciso não precisaria dar uma contribuição desnecessária escolhendo qualquer um.
Já nas eleições para Reitor da UFBA, alguns universitários optaram por não votar, pois não conheciam as propostas dos candidatos e não quiseram entregar o seu voto a um candidato que não correspondesse às necessidades da nossa universidade. No entanto é muito importante participar de qualquer tipo de eleição e espero que vencedor seja sempre a melhor opção para todos

Jamile Lessa

As Cidades Invisíveis


Perambulando pela cidade,lentamente vou descobrindo outros mundos;as favelas do rap,do reggae e do hip hop;os becos e vielas suprimidos pelos casarões arcaicos e muradas que aprisionam a cidade, limitando suas fronteiras...
Desconstruo aquela imagem de cidade de status,shoppings centers,cinemas,parque de diversão...isso não mais me interessa,soa artificial.A cidade que quero é humana,ela chora ,ri,existe escondida no anonimato das ruas desoladas,reprimidas e esquecidas.
Nesta,o luxo não tem abrigo,aqui mora o sofrimento,a desigualdade as diferenças raciais,culturais e étnicas.Suas ruas estão à vista para todos sem cerceamento de liberdades,sem omissão de imagens,sem censuras por suas estruturas decadentes;é a minha cidade real,que abre suas portas sem receio para o pequeno eo grande,o bom e o mal,o louco e o normal.Ela não escolhe a quem abrigar,resiste às rotulações ditas estéticas,porque os fortes não precisam de rótulos,apenas existem pra si mesmos.
A minha cidade é assim,espontânea,forte...registra em sua memória todos os fatos humanos,passados,presentes e futuros;espia a cada dia todos os passos que ali foram dados buscando algum caminho para a vida.Ela não exclui,abandona ou repreende os que por ali passam;
Muitos ,talvez nem quisesse conhecer essa cidade e de fato não poderiam,pois ela é só minha ,abstratamente minha.
Mônica Gomes Martins