Saturday, July 15, 2006

Nudez

Quero me despir de tudo, do ódio que pouco a pouco dilacera minha alma
Do tédio que me paralisa de tanta monotonia e mesmice...
Me despir das coisas impuras que meu ser abriga,
Tal qual a ambição, a inveja, o rancor,a cobiça das coisas que pretendi.
Vou arrancando cada uma dessas peças que me cobrem e
me torna rude, insensível à beleza da simplicidade.
Arremesso para bem longe os preconceitos que me maculam a consciência, me tornando esse ser atípico.Lentamente alcanço a minha catarse,
me liberto para o mundo das coisas possíveis,concretas.
Agora, refeita e serena sinto-me uma pluma, que abandonada ao relento segue sem rumo no espaço, à deriva e refém do acaso.
Despida e satisfeita, consciente do novo ser que construo ao me despir ,gozo da mais pura leveza e da simplicidade da vida...assim nua,decentemente nua.

Mônica Martins

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