Memórias de um livro...
As Reinações de Narizinho – Que martírio, que sofrimento para um livro não ser lido... feito com tanto sacrifício; depois de tantos procedimentos ficar guardado numa velha estante empoeirada!!! Pôxa! Contenho tantas estorinhas lindas, mágicas, perfeitas para qualquer criança e minha dona mal olha para mim...
Enciclopédia – Ora, do que está reclamando?! Pior situação é a minha, você acabou de vir pra cá. E eu que estou aqui há uns vinte anos?! Nunca fui lido. Minhas únicas companheiras são as traças...
As Reinações de Narizinho – É, realmente é muito ruim viver como nós vivemos. Tenho tanta vontade de saber como é a sensação de ser lido! Ouvi rumores de que uma garota está a sofrer humilhações só para ter o gostinho de me ler...adoraria que esta garota conseguisse levar-me deste purgatório. Será que fiz algo para merecer tal castigo???
Enciclopédia – Olha só, a mãe da sua dona está vindo em nossa direção. O que será que ela vai fazer?
As Reinações de Narizinho – Não sei, mas ela está olhando-me demais...
As Reinações de Narizinho – Não posso acreditar! Ela está levando-me daqui!!! Que felicidade!!! Olha, foi um prazer conhecê-lo, amigo Enciclopédia, mas tenho de ir. Desculpe-me, mas se depender de mim não volto mais. Adeus!
Enciclopédia – Adeus As Reinações de Narizinho! Seja feliz, você ainda é jovem. Eu é quem vai acabar morrendo aqui...
As Reinações de Narizinho – Oh, não diga isso. Seja firme. Se puder, ainda volto um dia, venho buscar-te...
As Reinações de Narizinho – Mas que maravilha!!! Estou agora pelas ruas de Recife a passear nas mãos de minha heroína!!!!
Lembro-me muito bem deste dia...foi o melhor de toda a minha existência. Foi a partir daí que consegui disseminar pelo mundo afora minhas estórias que, hoje, são conhecidas por muitas e muitas crianças!
Denise Fontebranca
Uma releitura do conto de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, a partir do livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato: ponto de vista do livro que queria ser lido.
Enciclopédia – Ora, do que está reclamando?! Pior situação é a minha, você acabou de vir pra cá. E eu que estou aqui há uns vinte anos?! Nunca fui lido. Minhas únicas companheiras são as traças...
As Reinações de Narizinho – É, realmente é muito ruim viver como nós vivemos. Tenho tanta vontade de saber como é a sensação de ser lido! Ouvi rumores de que uma garota está a sofrer humilhações só para ter o gostinho de me ler...adoraria que esta garota conseguisse levar-me deste purgatório. Será que fiz algo para merecer tal castigo???
Enciclopédia – Olha só, a mãe da sua dona está vindo em nossa direção. O que será que ela vai fazer?
As Reinações de Narizinho – Não sei, mas ela está olhando-me demais...
As Reinações de Narizinho – Não posso acreditar! Ela está levando-me daqui!!! Que felicidade!!! Olha, foi um prazer conhecê-lo, amigo Enciclopédia, mas tenho de ir. Desculpe-me, mas se depender de mim não volto mais. Adeus!
Enciclopédia – Adeus As Reinações de Narizinho! Seja feliz, você ainda é jovem. Eu é quem vai acabar morrendo aqui...
As Reinações de Narizinho – Oh, não diga isso. Seja firme. Se puder, ainda volto um dia, venho buscar-te...
As Reinações de Narizinho – Mas que maravilha!!! Estou agora pelas ruas de Recife a passear nas mãos de minha heroína!!!!
Lembro-me muito bem deste dia...foi o melhor de toda a minha existência. Foi a partir daí que consegui disseminar pelo mundo afora minhas estórias que, hoje, são conhecidas por muitas e muitas crianças!
Denise Fontebranca
Uma releitura do conto de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, a partir do livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato: ponto de vista do livro que queria ser lido.
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