A cidade da minha memória
Ao vir para a capital da Bahia deixando a minha interiorana cidade natal, apresentava uma série de justificativas para ter tomado tal decisão: o emprego estável, as melhores faculdades, a possibilidade de crescimento profissional e todo um leque de melhorias que isto representaria para minha vida e consequentemente para a vida daqueles que tão dificilmente tive que deixar para trás.
Hoje, tudo o que foi naquela época planejado está rapidamente realizando-se. Porém, por que será que não consigo sentir-me feliz? Por que nunca consegui me deslumbrar com as luzes e as cores da capital, como seria de se esperar?
Em todo momento pego-me a pensar na minha cidade, e sinto bastante saudades das coisas mais simples e variadas, desde a tranqüilidade de suas ruas, seu clima, as intrigas dos vizinhos fofoqueiros, até àquele leite de vaca. É isso mesmo! Aquele leite de vaca natural, sem conservantes, nem a abominável caixinha desses que são vendidos nos supermercados, leite este que o leiteiro entrega em domicílio todos os dias, de domingo a domingo, pontualmente às seis horas da manhã, e chega fazendo aquele barulho irritante com aquela maldita buzina, aos berros de –“Olha o leite!”, que tanto me deixaram nervosa ao acordar-me em sagrados dias de folga; e hoje, por ironia do destino, uma das primeiras coisas que faço ao chegar lá é tomar um bom copo deste delicioso produto.
Quando era mais jovem e sonhava em deixar o interior nunca imaginei que a adaptação fosse tão difícil, é claro que tinha consciência da tal dificuldade em relação à separação das pessoas que amo - meus parentes e amigos mais próximos; porém, jamais pensei que esse sentimento se estenderia ao lugar também.
Não sei como posso achar mais interessante a simplicidade de ir à feira-livre, onde pessoas, objetos, animais, veículos e as mais variadas bancas de mercadorias expostas à venda misturam-se; e lá tomar um duplo copo de caldo de cana, depois comer jaca e requeijão, a passear num elegante Shopping Center, só sei que o é. E tudo no meu interior é melhor e mais gostoso.
Enfim, nenhum lugar pode ser tão bom quanto aquele em que eu nasci e cresci, aquele que guarda as boas lembranças da época mais extraordinária da vida de todo ser humano, daquela época em que costumo dizer que era feliz e não sabia – a minha infância!
Valéria Suemy Filgueiras de Oliveira,
Hoje, tudo o que foi naquela época planejado está rapidamente realizando-se. Porém, por que será que não consigo sentir-me feliz? Por que nunca consegui me deslumbrar com as luzes e as cores da capital, como seria de se esperar?
Em todo momento pego-me a pensar na minha cidade, e sinto bastante saudades das coisas mais simples e variadas, desde a tranqüilidade de suas ruas, seu clima, as intrigas dos vizinhos fofoqueiros, até àquele leite de vaca. É isso mesmo! Aquele leite de vaca natural, sem conservantes, nem a abominável caixinha desses que são vendidos nos supermercados, leite este que o leiteiro entrega em domicílio todos os dias, de domingo a domingo, pontualmente às seis horas da manhã, e chega fazendo aquele barulho irritante com aquela maldita buzina, aos berros de –“Olha o leite!”, que tanto me deixaram nervosa ao acordar-me em sagrados dias de folga; e hoje, por ironia do destino, uma das primeiras coisas que faço ao chegar lá é tomar um bom copo deste delicioso produto.
Quando era mais jovem e sonhava em deixar o interior nunca imaginei que a adaptação fosse tão difícil, é claro que tinha consciência da tal dificuldade em relação à separação das pessoas que amo - meus parentes e amigos mais próximos; porém, jamais pensei que esse sentimento se estenderia ao lugar também.
Não sei como posso achar mais interessante a simplicidade de ir à feira-livre, onde pessoas, objetos, animais, veículos e as mais variadas bancas de mercadorias expostas à venda misturam-se; e lá tomar um duplo copo de caldo de cana, depois comer jaca e requeijão, a passear num elegante Shopping Center, só sei que o é. E tudo no meu interior é melhor e mais gostoso.
Enfim, nenhum lugar pode ser tão bom quanto aquele em que eu nasci e cresci, aquele que guarda as boas lembranças da época mais extraordinária da vida de todo ser humano, daquela época em que costumo dizer que era feliz e não sabia – a minha infância!
Valéria Suemy Filgueiras de Oliveira,
0 Comments:
Post a Comment
<< Home