As Cidades Invisíveis

Perambulando pela cidade,lentamente vou descobrindo outros mundos;as favelas do rap,do reggae e do hip hop;os becos e vielas suprimidos pelos casarões arcaicos e muradas que aprisionam a cidade, limitando suas fronteiras...
Desconstruo aquela imagem de cidade de status,shoppings centers,cinemas,parque de diversão...isso não mais me interessa,soa artificial.A cidade que quero é humana,ela chora ,ri,existe escondida no anonimato das ruas desoladas,reprimidas e esquecidas.
Nesta,o luxo não tem abrigo,aqui mora o sofrimento,a desigualdade as diferenças raciais,culturais e étnicas.Suas ruas estão à vista para todos sem cerceamento de liberdades,sem omissão de imagens,sem censuras por suas estruturas decadentes;é a minha cidade real,que abre suas portas sem receio para o pequeno eo grande,o bom e o mal,o louco e o normal.Ela não escolhe a quem abrigar,resiste às rotulações ditas estéticas,porque os fortes não precisam de rótulos,apenas existem pra si mesmos.
A minha cidade é assim,espontânea,forte...registra em sua memória todos os fatos humanos,passados,presentes e futuros;espia a cada dia todos os passos que ali foram dados buscando algum caminho para a vida.Ela não exclui,abandona ou repreende os que por ali passam;
Muitos ,talvez nem quisesse conhecer essa cidade e de fato não poderiam,pois ela é só minha ,abstratamente minha.
Mônica Gomes Martins
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