Tuesday, July 04, 2006

Abismo plácido

As pernas intactas já não agüentam o peso do teu coração
O peso do silêncio
O peso da solidão
O peso da saudade das histórias que não vivemos
Como fazer poesia se não tenho matéria?
Só os olhos dos meus pais fazem sentido agora.
As amizades que forjamos para não nos sentirmos sós.
A vida que levamos alienados, e suspeitamos, mas fingimos não.
A beleza que inventamos na flor.
Coitadas das flores se soubesse que não são belas.
Aonde chegamos com nossas teorias hipócritas.
As crianças já não são puras .
Matem todas as crianças.
Matem antes estas poesia.




Sabrina Souza.

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